segunda-feira, 22 de junho de 2009

O que há por trás do ouvido biônico

A possibilidade de surdos ouvirem. Popularmente conhecido como ouvido biônico, o implante coclear traz esperança aos deficientes auditivos. A cirurgia consiste em colocar uma cóclea artificial, que recebe os estímulos sonoros pelo magnetismo do aparelho externo, que é usado junto à orelha. Essa cóclea artificial desempenha a mesma função de uma cóclea natural, que é responsável por receber as vibrações sonoras e transmiti-las ao cérebro por meio da conexão com o nervo auditivo.

Para compreender melhor qual é o processo e quem está apto a passar pela cirurgia, Lílian Guarnieri conversou com a Profª Dra. Regina Célia Bortoleto Amantini, diretora da Divisão de Saúde Auditiva (Cedalvi - Centro de Atendimento aos Distúrbios de Audição, Linguagem e Visão) em Bauru, que trabalha com diagnóstico e adaptação, além do gerenciamento da clínica. A entrevista será postada de acordo com blocos de assunto.


Além da transcrição, as partes mais interessantes da conversa poderão ser encontradas em podcast, também aqui no blog. Ficou curioso? Para ficar atualizado em relação ao conteúdo do blog, sugerimos o RSS. O primeiro post será sobre o diagnóstico de deficiência auditiva.

Conheça alguns casos

domingo, 21 de junho de 2009

O que há por trás do ouvido biônico - Diagnóstico

Você pesquisa diagnóstico diferenciado. Quais são os métodos para diagnosticar a surdez?
Dra. Regina Célia Bortoleto Amantini: Há etiologia, ou seja, estudo das causas, por exemplo: a mãe teve rubéola no terceiro ou quarto mês de gravidez – então ela já tem uma suspeita; a mãe que teve toxoplasmose - então ela já fica alerta. Nos casos em que a mãe não teve nada e o filho apresenta deficiência auditiva dissemos que trata-se de etiologia desconhecida.

Existem casos em que a surdez não é percebida enquanto bebê?
Dra. Amantini: Sim. O bebê nasce e até balbucia, porque é esperado que ele chegue a balbuciar por um tempo, isso é normal, mesmo que ele seja surdo, ou deficiente auditivo. Existem muitos casos em que a mãe vai perceber que a criança não reage a estímulos sonoros após 7 ou 8 meses ou até mais. Contudo, hoje existem alguns programas nas maternidades que já fazem o teste da orelhinha; se o bebê falhou no teste da orelhinha, aí ele vai para o diagnóstico diferencial. Mas nem toda maternidade tem o teste da orelhinha e nem todos os pacientes voltam.

Quais exames diagnosticam a deficiência auditiva?
Dra. Amantini: No diagnóstico, chamado “teste ouro”, a gente vai fazer toda a parte de anamnese (questionário com informações de queixas e ou complementares), vai passar pelo otorrino para descartar qualquer problema, e daí para o diagnóstico audiológico, que conta com vário exames. Por esses exames a gente já tem o perfil do paciente. Nos casos com bebês, os exames indicam se eles têm uma perda ou não e qual o grau dessa perda. Nos adultos os exames permitem avaliar se a perda é leve, grave, severa, profunda.

Logo após o dignóstico da deficiência auditiva, qual o próximo passo?
Dra. Amantini: Se a perda for de severa para profunda ou profunda, independente da idade, a primeira coisa a se fazer é colocar o aparelho auditivo. Mesmo sabendo que é uma perda profundona, “ah mas ele já é um caso de ir pra implante coclear”, não, primeiro tem que esgotar os recursos tecnológicos disponíveis. Porque, às vezes, a criança tem um benefício com o aparelho, sendo desnecessário o implante. Então, coloca-se o aparelho auditivo, avalia-se por 1 ou 2 meses, junto com a reabilitação na cidade de origem dele. Quando ele retornar, com base nesse procedimento e na avaliação da percepção da fala, é que eu vou definir se ele é um caso para implante ou não.

Confira a continuação da entrevista realizada por Lílian Guarnieri com a Profª Dra. Regina Célia Bortoleto Amantini.